2009 was a year of great achievements for me, as I hope it was for you all too. Despite the crisis, among other things, I reviewed 59 books (a couple of which were fabulous); secured a contract with a global company, with rates in euros; said a couple of no's to translation agencies offering US$ 2 cents per word; passed a translation exam (more about it next year); and worked on a very exciting translation project for a respected journalist and magazine (I'm still not comfortable revealing more for security reasons; I'm obviously not as brave as the journalist in question.)
Now I'm taking much anticipated and needed time off. Though I'm not going away, I'll be staying away from computer, blog and Twitter!
To all my translation colleagues I would like offer a list of wishes that I hope will come true for everyone in 2010:
lots of exciting translation jobs
with reasonable deadlines
and excellent rates
clients who pay cash as soon as you deliver the job
a computer that never crashes
CAT tools that never fail
and
lots and lots of free time!
MERRY CHRISTMAS AND A HAPPY NEW YEAR!
And thanks for reading my blog!
22 Dec 2009
21 Dec 2009
A nova ortografia - um ano depois | New Brazilian Portuguese spelling - one year later
[For my English speaking readers: please scroll down for information in English or use the Google translate box on the right to have a rough idea of the content of this post.]
Um ano depois, a reforma ortográfica da língua portuguesa ainda gera confusão e polêmica. Vou fazer aqui um pequeno apanhado sobre o assunto.
O acordo foi assinado pelos países da CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa): Brasil, Portugal, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e Timor-Leste. No Brasil o acordo foi assinado pelo presidente Lula em 28 de setembro de 2009, com prazo para entrada em vigor até início de 2013. Apesar do prazo extenso, a mídia em peso adotou o acordo a partir de janeiro deste ano. Houve pouca controvérsia no Brasil - mais uma daquelas coisas que acontecem por aqui, em que o povo não foi consultado, mas aceita sem se importar muito. Alguns intelectuais se opuseram, mas são vozes solitárias.
Já em Portugal a coisa é diferente. O pessoal foi muito mais veemente - o povo em geral rejeitou o acordo. Para Portugal, as mudanças são mais extensas que para nós. Mas não é só isso. A ideia do acordo é "unificar" o idioma - a grafia do idioma. Como se unificando a ortografia o modo de usar a língua fosse, magicamente, ser unificado também. As diferenças entre português do Brasil e de Portugal, como todos sabem, são inúmeras, passando por vocabulário e gramática. Tanto que um tradutor brasileiro não pode traduzir para português de Portugal. (Ou melhor, não deveria; recentemente vi uma aberração dessas, um texto que o tradutor europeu jurava que estava traduzido para português do Brasil, mas estava num português inexistente, nem brasileiro, nem de Portugal.)
Aqui no Brasil, no entanto, resistir à mudança é impossível agora. Os tradutores profissionais também começaram a usar as novas regras a partir de janeiro deste ano. Com muita dificuldade, pois não havia ainda corretor ortográfico do Word nem dicionários atualizados.
Agora já contamos com muitos recursos. Em outubro, a Microsoft lançou o novo corretor ortográfico, mas somente para Word 2007 - quem usa versões anteriores não vai receber atualização! Numa esperta jogada, a empresa esperou tempo suficiente para que o prazo de atualização das versões mais antigas prescrevesse. A tradutora Val Ivonica explica como fazer a atualização no seu blog.
Mas existe outro corretor muito usado pelos tradutores, o Flip, recomendado pela Val e também pelo Fabio Said.
Muitos sites explicam as regras de forma bem clara, bem mais clara que o próprio acordo ou os primeiros livros lançados sobre o assunto. Vamos a alguns:
- Este da Abril é um apanhado de palavras comuns agrupadas pelas regras - visual, com antes e depois, permite relembrar e fixar cada regra mais facilmente.
- Este aqui é um minivocabulário de palavras mais usadas, para consulta rápida.
- O G1 fez um resumo das regras em uma página, útil e fácil de consultar.
- Aqui, um guia elaborado pela prefeitura do Rio, mais didático e bom para professores e estudantes.
- O Portal da Língua Portuguesa oferece este vocabulário das palavras que mudaram.
- O Ortografa! permite que você digite a palavra ou texto e receba as novas versões das palavras. Mas cuidado, nem todas as palavras ficam certas.
Para quem não quer errar mesmo, recomenda-se o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa da Academia Brasileira de Letras. Se você usar o que está lá, ninguém poderá reclamar, é o vocabulário oficial do Brasil. Certo? Errado! Tempos depois de lançado foi (muito mal) divulgada uma errata! Ou seja, além de consultar o dicionário, consulte também a errata e, aí, terá certeza. O encarte com a errata está aqui.
Com tudo isso, não dá mais para escrever União Européia, viu? :-)
Mais informações:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u450170.shtml
http://www1.folha.uol.com.br/folha/especial/2008/reformaortografica/
In English:
http://www.globalwatchtower.com/2009/01/06/new-brazilian-portuguese-spelling-in-effect/
http://en.wikipedia.org/wiki/Portuguese_Language_Orthographic_Agreement_of_1990
Um ano depois, a reforma ortográfica da língua portuguesa ainda gera confusão e polêmica. Vou fazer aqui um pequeno apanhado sobre o assunto.
O acordo foi assinado pelos países da CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa): Brasil, Portugal, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e Timor-Leste. No Brasil o acordo foi assinado pelo presidente Lula em 28 de setembro de 2009, com prazo para entrada em vigor até início de 2013. Apesar do prazo extenso, a mídia em peso adotou o acordo a partir de janeiro deste ano. Houve pouca controvérsia no Brasil - mais uma daquelas coisas que acontecem por aqui, em que o povo não foi consultado, mas aceita sem se importar muito. Alguns intelectuais se opuseram, mas são vozes solitárias.
Já em Portugal a coisa é diferente. O pessoal foi muito mais veemente - o povo em geral rejeitou o acordo. Para Portugal, as mudanças são mais extensas que para nós. Mas não é só isso. A ideia do acordo é "unificar" o idioma - a grafia do idioma. Como se unificando a ortografia o modo de usar a língua fosse, magicamente, ser unificado também. As diferenças entre português do Brasil e de Portugal, como todos sabem, são inúmeras, passando por vocabulário e gramática. Tanto que um tradutor brasileiro não pode traduzir para português de Portugal. (Ou melhor, não deveria; recentemente vi uma aberração dessas, um texto que o tradutor europeu jurava que estava traduzido para português do Brasil, mas estava num português inexistente, nem brasileiro, nem de Portugal.)
Aqui no Brasil, no entanto, resistir à mudança é impossível agora. Os tradutores profissionais também começaram a usar as novas regras a partir de janeiro deste ano. Com muita dificuldade, pois não havia ainda corretor ortográfico do Word nem dicionários atualizados.
Agora já contamos com muitos recursos. Em outubro, a Microsoft lançou o novo corretor ortográfico, mas somente para Word 2007 - quem usa versões anteriores não vai receber atualização! Numa esperta jogada, a empresa esperou tempo suficiente para que o prazo de atualização das versões mais antigas prescrevesse. A tradutora Val Ivonica explica como fazer a atualização no seu blog.
Mas existe outro corretor muito usado pelos tradutores, o Flip, recomendado pela Val e também pelo Fabio Said.
Muitos sites explicam as regras de forma bem clara, bem mais clara que o próprio acordo ou os primeiros livros lançados sobre o assunto. Vamos a alguns:
- Este da Abril é um apanhado de palavras comuns agrupadas pelas regras - visual, com antes e depois, permite relembrar e fixar cada regra mais facilmente.
- Este aqui é um minivocabulário de palavras mais usadas, para consulta rápida.
- O G1 fez um resumo das regras em uma página, útil e fácil de consultar.
- Aqui, um guia elaborado pela prefeitura do Rio, mais didático e bom para professores e estudantes.
- O Portal da Língua Portuguesa oferece este vocabulário das palavras que mudaram.
- O Ortografa! permite que você digite a palavra ou texto e receba as novas versões das palavras. Mas cuidado, nem todas as palavras ficam certas.
Para quem não quer errar mesmo, recomenda-se o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa da Academia Brasileira de Letras. Se você usar o que está lá, ninguém poderá reclamar, é o vocabulário oficial do Brasil. Certo? Errado! Tempos depois de lançado foi (muito mal) divulgada uma errata! Ou seja, além de consultar o dicionário, consulte também a errata e, aí, terá certeza. O encarte com a errata está aqui.
Com tudo isso, não dá mais para escrever União Européia, viu? :-)
Mais informações:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u450170.shtml
http://www1.folha.uol.com.br/folha/especial/2008/reformaortografica/
In English:
http://www.globalwatchtower.com/2009/01/06/new-brazilian-portuguese-spelling-in-effect/
http://en.wikipedia.org/wiki/Portuguese_Language_Orthographic_Agreement_of_1990
5 Dec 2009
Translation Alchemists | Alquimistas da tradução
We've been "talking about" literary translation here so I thought this article, The Literary Translation Alchemists, by Anne-Marie Deraspe, published in Tabaret, the magazine of the University of Ottawa, would be interesting to complement our discussion. Some of the opinions in it don't relate exclusively to literary translation, for example: “Translators and interpreters have always played a determining role in the development of their societies and have been fundamental to the unfolding of intellectual history itself.” (Jean Delisle, professor at the University of Ottawa’s School of Translation and Interpretation). If you're ever feeling frustrated because you're translating something "dry", think about this - you're contributing to the development of society, whatever it is you are translating! :-)
Another rather obvious statement is also a good reminder, especially for publishers: “You can’t be an educated reader without reading translations. Otherwise, you would have to speak an incalculable number of languages.” (Sheila Fischman, translator). And for those who aspire to be writers themselves: “Translation liberated me and in a way gave me permission to become a writer. Translation imposes a silence that aids my development. Translating great writers has inspired me to go further, to become a better writer myself.” (Daniel Poliquin )
We are all "alchemists" in a sense. So I think you will enjoy reading the article. Here's the first paragraph:
Since the dawn of writing, translation has facilitated the constant flow of ideas and forms, spreading knowledge and allowing the import and export of cultures. It is thanks to translators that historians have been able to gauge the permeability of borders between the East and West in ancient times, and to discover how India, China, Iraq and Spain have each in turn shaped and nourished western culture. Part of our mathematics, for instance, is based on the Indian numbering system, which was translated into Arabic and then into Latin and eventually transmitted to modern times. The same is true of many scientific and philosophical texts inspired by Indian and Chinese concepts and traditions that passed through Muslim Spain before being incorporated into European culture. [Click here to continue reading]
(Found out about this article through a tweet by @calutateo)
Another rather obvious statement is also a good reminder, especially for publishers: “You can’t be an educated reader without reading translations. Otherwise, you would have to speak an incalculable number of languages.” (Sheila Fischman, translator). And for those who aspire to be writers themselves: “Translation liberated me and in a way gave me permission to become a writer. Translation imposes a silence that aids my development. Translating great writers has inspired me to go further, to become a better writer myself.” (Daniel Poliquin )
We are all "alchemists" in a sense. So I think you will enjoy reading the article. Here's the first paragraph:
Since the dawn of writing, translation has facilitated the constant flow of ideas and forms, spreading knowledge and allowing the import and export of cultures. It is thanks to translators that historians have been able to gauge the permeability of borders between the East and West in ancient times, and to discover how India, China, Iraq and Spain have each in turn shaped and nourished western culture. Part of our mathematics, for instance, is based on the Indian numbering system, which was translated into Arabic and then into Latin and eventually transmitted to modern times. The same is true of many scientific and philosophical texts inspired by Indian and Chinese concepts and traditions that passed through Muslim Spain before being incorporated into European culture. [Click here to continue reading]
(Found out about this article through a tweet by @calutateo)
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