24 de ago de 2010

Meus comentários (muito atrasados) sobre a Flip

O tempo anda corridíssimo, por isso o abandono deste blog. Por isso também demorei tanto para postar meus comentários sobre a Flip, a Festa Literária Internacional de Paraty. De qualquer forma, mesmo atrasados, aí vão:


- Primeira coisa: houve um debate com tradutores! Bem, não foi com tradutores que traduzem para português os livros responsáveis pela maior fatia do mercado editorial brasileiro, mas já é alguma coisa. Falaram Alison Entrekin, que traduziu para o inglês Cidade de Deus, Budapeste e O filho eterno, e Berthold Zilly, que traduziu Os Sertões para o alemão (ai, que tarefa!). Muito interessantes os dois, com histórias gostosas de se ouvir. Quem sabe na próxima Flip ganhamos mais debates sobre tradução, quem sabe com um dos autores internacionais convidados e seu tradutor brasileiro?

- A casa dos Clássicos Penguin montada pela Companhia das Letras estava muito bacana e simpática. Lá vi Salman Rushdie e Fernando Henrique falando sobre O Príncipe, de Maquiavel, um dos quatro primeiros clássicos da nova parceria. Tradução nova, por sinal, do italiano, de Maurício Santana Dias. Está aqui na cabeceira, para ler em breve.

- Rushdie, aliás, é figura muito interessante. Foi ótimo ouvi-lo falar do seu novo livro, Luka e o fogo da vida, que foi lançado em Paraty, em português, em primeira mão. É, o lançamento mundial foi em português e na Flip. Vocês acham que o debatedor enfatizou isso? Se acha, você não conhece os debatedores da Flip...

- Mas houve alguns bons debatedores. Grande exemplo foi Ángel Gurría-Quintana. Ángel interagiu com seus dois entrevistados, William Kennedy e Colum McCann, escutava o que eles diziam para depois poder fazer a pergunta seguinte com algum senso de continuidade, passava de um para o outro com sensibilidade, sabia de coisas interessantes da vida e obra dos dois para poder fazê-las vir à tona e não disputava com eles o papel principal da entrevista. Incrível, mas isso é raridade na Flip!

- Essa mesa, aliás, foi uma das melhores para mim. Achei fascinante as histórias dos dois. E o irlandês McCann ganhou o troféu simpatia.

- Muito simpática também a casinha do Clube de Autores. Pessoal bacana, bom conhecer as caras por trás do site.

- Paraty, claro, continua uma delícia de cidadezinha.

- E, como sempre, o “ar” da Flip é ótimo, com coisas interessantes acontecendo o tempo todo, pessoas bem humoradas, alto astral.


Precisa melhorar...
- A Flip não consegue organizar a venda de ingressos e isso é tremendamente frustrante. O site para venda antecipada só aceitava a compra de 3 mesas de cada vez! O preço já salgadinho de 40,00 por mesa era acrescido de 20%, além da taxa final. Os poucos ingressos à venda (poucos, sim, a maioria é distribuída para convidados) acabaram em minutos. Um abuso. No local, as coisas não foram melhores e a demora das atendentes para conseguirem fechar uma venda lembrava um Brasil de tempos muito passados...

- O show de abertura, que achei que era do Edu Lobo, foi de uma tal de Renata Rosa. Edu Lobo deu só uma canjinha. O que teve de gente saindo antes do Edu entrar. Eu fiquei, firme e forte, mas confesso que foi uma das maiores torturas musicais pelas quais já passei. E era pago, o show.

- Uma pergunta: será que convidar FH em tempos de eleição foi uma decisão, digamos, apropriada?

- Os debatedores. Isso precisa melhorar. Nem precisa explicar.


Teria muito, muito mais para escrever, mas o post já está de bom tamanho.

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